quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O nascimento do Davi esta mudando a minha vida e a minha história.

Descobri que o bebe que gerava era portador de uma trissomia no cromossomo 21, portanto um defeito orgânico, genético.
Quando meu filho Davi nasceu ele não veio sozinho, com ele veio um diagnóstico: o da síndrome de Down, dando a minha vida um sentido especial, trazendo-me para uma nova e desafiadora realidade, pois acredito na real possibilidade de toda pessoa que nasce com uma condição biológica diferente da nossa, se desenvolva dentro dos padrões esperados pela sociedade.
Acredito também que, para que isso aconteça, é necessário que as pessoas se dispam dos preconceitos e procurem olhar para eles como pessoas e não como portadores dessa ou daquela deficiência. Acredito que rompendo a barreira do preconceito muita coisa pode mudar. Acredito que o verdadeiro obstáculo que terei que vencer não é o Davi ou a sua especialidade, mas precisamente o enorme preconceito que o envolve.
Estou me surpreendendo pelo tamanho e vigor do preconceito. Tenho a certeza de que, ultrapassando o preconceito, muita coisa, mais muita coisa mesmo poderá mudar! Terei que lutar contra o preconceito. Aceito o Davi, aceito também que ele tem Síndrome de Down. Recuso-me aceitar o preconceito, e contra ele manifesto minha indignação.
Viver é lutar, é sempre e sempre um recomeçar.
Gerar e sentir o Davi foi de uma emoção indescritível, o nascimento dele esta sendo sentido com muito amor e agradecimento, pois pessoas especiais são dadas apenas para pessoas especialmente capazes.
No principio, era o verbo aceitar, o verbo amar, estimular, mediar, ensejar, confiar, lutar e por ai vai... Estou me preparando para conjugar esses e outros verbos que, devidamente empregadas darão resultados nos adjetivos normal, esperto, inteligente, capaz, feliz e por ai vai... A ação conduzirá a qualidade.
O nascimento do Davi esta mudando a minha vida e a minha história, esta provocando em mim a capacidade de ver o mundo de maneira mais sutil, mais humano, fazendo com que eu comece a pensar porquê das coisas e a compreender que eu tenho um papel a cumprir, através do Davi foi me dado oportunidades, que cabe a mim aproveitá-las, desenvolvendo e reconhecendo as minhas próprias competências. Sinto-me premiada pela oportunidade de ter uma vida com sentido maior.
O nascimento de uma criança com Síndrome de Down não é o fim do mundo, mas o começo de uma nova experiência, de uma nova vida. Não há porque me desesperar, no momento mesmo da noticia, a vontade foi só de chorar, chorei, mas não por muito tempo. Reconheço que foi dada uma grande oportunidade em minha vida: a de provar que o ser humano é bastante misterioso para nos surpreender e superar as nossas mais firmes expectativas. E o Davi a cada segundo vem me surpreendendo mais e mais, esta se desenvolvendo muitíssimo bem, QUE ORGULHO.
Darei tudo de mim para alterar as condições do Davi, farei ele progredir sempre em direção aos mais altos ideais, por meio do meu amor, do acolhimento e da disposição para trabalhar com afinco.
Amo o Davi e quem ama acolhe e o acolhimento é a chave mestra para o desenvolvimento. Amor e acolhimento são os principais ingredientes para que a dedicação ao Davi seja bem-sucedida para que aconteça o milagre da transformação.
Nos vivemos só uma vez. Cabe-nos dar a nossa vida um sentido verdadeiro. Buscar caminhos que nos possam levar a concluir que valeu a pena.
Um filho com Síndrome de Down, esta me dando e dará condições de transformar essa jornada de maneira mais proveitosa possível. Não perder a oportunidade de trabalhar e transformar o Davi de ser potencialmente capaz em uma pessoa realmente capaz.
Agradeço a Deus, pelo Davi que, com certeza veio para nos dizer alguma coisa muitíssimo importante.

Um comentário:

Patrícia Silva disse...

Bia num Aquário de Idéias disse...

Quero deixar aqui um depoimento. Patrícia é uma das mulheres mais corajosas que conheço. Estudamos juntas e me lembro quando foi levantada a suspeita de anomalia genética depois dum ultrassom no terceiro mês. Lógico que todos torceram para que não fosse nada, e quando soubemos da confirmação, que Davi tinha síndrome de Down, ficamos um pouco aborrecidos. Mas depois percebemos a força dessa mãezona e ficamos felizes, junto com ela.

Patrícia chegou a escutar coisas horríveis quando o assunto veio à tona. Chegou a ouvir sugestão de aborto (!!!), já que a gestação ainda estava muito no início. Mas Patrícia não é, nunca foi e nem nunca vai ser mulher de correr de problemas. Pelo contrário, ela os pega de frente e mostra quem é que manda - o coração de mãe que ela tem agora. ESSE é que manda (logo depois de Deus, em quem ela confia demais e de quem terá toda a força que precisar).

Patrícia, orgulhe-se de ser mãe de uma criança tão graciosa, desafiadora e especial. Davi não poderia ter nascido em família melhor, e fico muito feliz por ele!

Davi!!! Um beijo da tia Tutu!!!
14 de janeiro de 2010 11:57